Um Contratempo
Eu pensei em começar a fazer postagens sobre filmes lançados já há algum tempo, e este seria um deles, mas prefiro que essa crítica sirva como divulgação; vocês precisam ver esta obra prima!
Esta postagem não contém spoilers.
Contratiempo é uma produção espanhola de 2016, dirigida e roteirizada por Oriol Paulo (El Cuerpo). Não vou citar os nomes dos atores que fazem parte do filme por motivos de "você entenderá quando terminar de assistir". Recomendo também que não pesquise nada sobre eles antes de ver. A trama do filme gira em torno de Adrián, um famoso empresário que está sendo acusado de ter matado sua amante, Laura. Em uma noite, ele conhece a competente advogada Virgínia, e começa a contar a ela tudo o que possivelmente aconteceu, dando início a uma trama muito maior do que se imaginava, e nos jogando numa teia de acontecimentos que chegam a ser assustadores, apesar de não ser uma obra de terror.
A primeira coisa que me conquistou em Contratiempo foi a fotografia. A falta de cores traz uma desesperança onipresente, e atua perfeitamente com o clima do filme. É algo a ser aplaudido de pé. Isso, entre outras coisas na obra, me lembrou outros dois filmes que gosto bastante: Garota Exemplar, de David Fincher, e Os Suspeitos, de Denis Villeneuve, os dois melhores filmes de dois dos meus diretores favoritos.
O modo como a história é contada também é um dos pontos altos do filme. A narrativa trabalha com possibilidades, mostrando longas cenas de coisas que podem ou não ter acontecido, fazendo o espectador se perguntar sobre o que realmente aconteceu. Em certo momento, você pode pensar que aquela é a cena real e que o mistério foi resolvido, e pode até ser, mas acredite, este filme guarda surpresas até seu último segundo antes dos créditos. Se você, como eu, é fã de reviravoltas, aqui está um prato cheio delas. Mas um filme não se sustenta só pelo elemento surpresa, é por isso que este deve ter mais divulgação. Ele dá uma aula de como apresentar uma narrativa original, manter sua atenção presa do início ao fim, e ainda presenteá-lo aqui e ali com plot-twists muito bem amarrados.
O elenco está perfeito. Como eu já disse, não vou citar os nomes dos atores, mas podemos fazer uma análise apenas por seus personagens. Adrián é um sujeito complexo, cheio de camadas, aquele tipo de personagem que mostra muito, e ao mesmo tempo não revela nada sobre si mesmo, você vai sentir muitas coisas em relação a ele, e o ator consegue exprimir cada sentimento, alegria, satisfação, surpresa, medo, de forma brilhante. Laura é igualmente profunda, sua personagem também o fará sentir várias coisas, mas de uma maneira mais limitada, já que ela só aparece em flashbacks. Por fim, Virgínia, a advogada, apesar da idade, mostra-se uma mulher forte, extremamente inteligente, capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer, e a conclusão do seu arco é a mais interessante do filme. Os outros personagens estão igualmente bons, mas não têm tanto destaque quanto estes.
A direção de Oriol Paulo traz tomadas interessantes, locais mostrados de ângulos incomuns, câmeras girando lentamente, foco nas expressões dos personagens, para extrair cada emoção que passa por seus rostos, por mais sutil que seja. Isso nos ajuda a fazer um estudo de cada personagem, analisar suas motivações, suas ações. E é aí que entra o principal problema da obra: as motivações e algumas ações dos personagens são fantasiosas demais, afastando a trama de sua história realista e aproximando-a da ficção. Há incidentes, contratempos, que seriam facilmente evitados se os personagens tomassem decisões diferentes. Mas isso não é deixado de lado pelo filme, que expressa sua consciência disso numa das primeiras cenas, como se usasse metalinguagem.
No geral, Contratiempo foi uma grata surpresa, eu que achava que dificilmente me surpreenderia com um filme depois de tantos já assistidos. Se você gostou dos já citados Garota Exemplar e Os Suspeitos, se é fã das obras noir dos anos 30-40, ou das tramas investigativas mirabolantes de Alfred Hitchcock, não deve deixar este filme passar despercebido.
Utilidade pública: pelo menos até o momento em que escrevo, ele está disponível na Netflix.
Uma música para o filme:
Para esta obra, pensei na música "The kill", da banda 30 Seconds to Mars. A música fala sobre matar alguém, mas é o eu lírico que está prestes a ser morto, ao mesmo tempo a letra vai dando possíveis motivações pelas quais aquela pessoa está sendo assassinada. É isso que procuramos ao longo do filme; motivações plausíveis, não justificáveis, pois um assassinato nunca é justificável, mas precisamos pelo menos entender porque aquilo aconteceu.
Música no YouTube
Trailer do filme
Esta postagem não contém spoilers.
Contratiempo é uma produção espanhola de 2016, dirigida e roteirizada por Oriol Paulo (El Cuerpo). Não vou citar os nomes dos atores que fazem parte do filme por motivos de "você entenderá quando terminar de assistir". Recomendo também que não pesquise nada sobre eles antes de ver. A trama do filme gira em torno de Adrián, um famoso empresário que está sendo acusado de ter matado sua amante, Laura. Em uma noite, ele conhece a competente advogada Virgínia, e começa a contar a ela tudo o que possivelmente aconteceu, dando início a uma trama muito maior do que se imaginava, e nos jogando numa teia de acontecimentos que chegam a ser assustadores, apesar de não ser uma obra de terror.
A primeira coisa que me conquistou em Contratiempo foi a fotografia. A falta de cores traz uma desesperança onipresente, e atua perfeitamente com o clima do filme. É algo a ser aplaudido de pé. Isso, entre outras coisas na obra, me lembrou outros dois filmes que gosto bastante: Garota Exemplar, de David Fincher, e Os Suspeitos, de Denis Villeneuve, os dois melhores filmes de dois dos meus diretores favoritos.
O modo como a história é contada também é um dos pontos altos do filme. A narrativa trabalha com possibilidades, mostrando longas cenas de coisas que podem ou não ter acontecido, fazendo o espectador se perguntar sobre o que realmente aconteceu. Em certo momento, você pode pensar que aquela é a cena real e que o mistério foi resolvido, e pode até ser, mas acredite, este filme guarda surpresas até seu último segundo antes dos créditos. Se você, como eu, é fã de reviravoltas, aqui está um prato cheio delas. Mas um filme não se sustenta só pelo elemento surpresa, é por isso que este deve ter mais divulgação. Ele dá uma aula de como apresentar uma narrativa original, manter sua atenção presa do início ao fim, e ainda presenteá-lo aqui e ali com plot-twists muito bem amarrados.
O elenco está perfeito. Como eu já disse, não vou citar os nomes dos atores, mas podemos fazer uma análise apenas por seus personagens. Adrián é um sujeito complexo, cheio de camadas, aquele tipo de personagem que mostra muito, e ao mesmo tempo não revela nada sobre si mesmo, você vai sentir muitas coisas em relação a ele, e o ator consegue exprimir cada sentimento, alegria, satisfação, surpresa, medo, de forma brilhante. Laura é igualmente profunda, sua personagem também o fará sentir várias coisas, mas de uma maneira mais limitada, já que ela só aparece em flashbacks. Por fim, Virgínia, a advogada, apesar da idade, mostra-se uma mulher forte, extremamente inteligente, capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer, e a conclusão do seu arco é a mais interessante do filme. Os outros personagens estão igualmente bons, mas não têm tanto destaque quanto estes.
A direção de Oriol Paulo traz tomadas interessantes, locais mostrados de ângulos incomuns, câmeras girando lentamente, foco nas expressões dos personagens, para extrair cada emoção que passa por seus rostos, por mais sutil que seja. Isso nos ajuda a fazer um estudo de cada personagem, analisar suas motivações, suas ações. E é aí que entra o principal problema da obra: as motivações e algumas ações dos personagens são fantasiosas demais, afastando a trama de sua história realista e aproximando-a da ficção. Há incidentes, contratempos, que seriam facilmente evitados se os personagens tomassem decisões diferentes. Mas isso não é deixado de lado pelo filme, que expressa sua consciência disso numa das primeiras cenas, como se usasse metalinguagem.
No geral, Contratiempo foi uma grata surpresa, eu que achava que dificilmente me surpreenderia com um filme depois de tantos já assistidos. Se você gostou dos já citados Garota Exemplar e Os Suspeitos, se é fã das obras noir dos anos 30-40, ou das tramas investigativas mirabolantes de Alfred Hitchcock, não deve deixar este filme passar despercebido.
Utilidade pública: pelo menos até o momento em que escrevo, ele está disponível na Netflix.
Uma música para o filme:
Para esta obra, pensei na música "The kill", da banda 30 Seconds to Mars. A música fala sobre matar alguém, mas é o eu lírico que está prestes a ser morto, ao mesmo tempo a letra vai dando possíveis motivações pelas quais aquela pessoa está sendo assassinada. É isso que procuramos ao longo do filme; motivações plausíveis, não justificáveis, pois um assassinato nunca é justificável, mas precisamos pelo menos entender porque aquilo aconteceu.
Música no YouTube
Trailer do filme

Comentários
Postar um comentário