Deadpool 2
O maior acerto da Fox não ficaria sem continuação de maneira
alguma, e ela chegou da forma que os fãs mais gostam: escrachada, violenta e
cheia de referências!
Esta postagem não contém spoilers.
Após um acontecimento trágico, Deadpool (Ryan Reynolds) decide
dar uma chance aos X-Men, e em sua primeira missão, conhece o jovem Russel
(Julian Dennison), um garoto muito poderoso que estava sendo torturado numa
“clínica de reabilitação de mutantes”. Acontece que Cable (Josh Brolin), um
super-soldado vindo do futuro, deseja a todo custo matar o garoto, por um crime
que ele ainda não cometeu.
Trazendo uma história muito mais complexa que o original,
Deadpool 2 consegue ser tão bom quanto seu predecessor. Em alguns quesitos,
chega a ser melhor. Começando pela comédia; é óbvio que este é bem menos
engraçado que o primeiro, mas com isso ele consegue acertar onde (na minha
opinião), o primeiro errou: piadas as vezes sem graça e desnecessárias, que
parecem ter sido inseridas no roteiro só para encher linguiça. Aqui elas ainda
existem, mas em menor quantidade.
O grande acerto do filme são os interessantíssimos
personagens secundários. Cable tem um desenvolvimento interessante, uma
condição (relacionada a sua viagem no tempo) que traz um desfecho emocionante,
e uma motivação no mínimo polêmica, mas crível. O pequeno Russel é apenas um
garoto chato que teve sua infância destruída pelos torturadores da tal clínica,
não é um dos melhores personagens. Os que retornam do primeiro filme estão cada
vez melhores: Colossus tem um bom desenvolvimento, sua luta final é no mínimo
f*da! Míssil Adolescente Megasônico (Brianna Hildebrand) continua a mesma do
anterior, porém tem uma participação menor, e geralmente ofuscada pelo carisma
de Yukio (Shioli Kutsuna), sua namorada. Dopinder (Karan Soni) está mais
hilário do que nunca. Mas o grande destaque do filme vai para Dominó (Zazie
Beetz), uma mutante cujo poder é literalmente sorte, portanto pode esperar as
tiradas mais geniais nos seus momentos de ação. Eu espero um filme solo dela no
futuro.
Mas um filme não funciona só por seus personagens. A
história também precisa ser interessante. E histórias com viagens no tempo
sempre são interessantes, mas precisam ser bem pensadas porque qualquer deslize
pode colocar tudo a perder. Claro que Deadpool 2 é um filme que, assim como seu
antecessor, não se leva a sério, mas temos aqui uma trama muito mais madura que
a primeira. Não temos um roteiro mirabolante cheio de reviravoltas e paradoxos
causados pelas viagens no tempo, mas temos um enredo que possui uma mensagem a
ser passada (e é claro que o roteiro brinca com isso também), e garante as mais
variadas emoções do espectador; o riso, o choro, a surpresa.
Vale mencionar também a trilha sonora, muito mais cuidadosa que a do original, me lembrou muito os filmes dos Guardiões da Galáxia, inclusive eles têm até uma música em comum. O interessante é que foi apostado em músicas dos anos 70, 80 e 90, além de temas de personagens, como a icônica música de um personagem surpresa que para mim foi incrível (tanto a música quanto o personagem), e é claro, o "tema" do próprio Deadpool, a música que será mencionada no final desta crítica. O ponto é que percebemos como a produção está ficando cada vez mais cuidadosa, desde coisas necessárias como o CGI (aqui muito melhor que no original), até coisas básicas como a música.
O problema de Deadpool (dos dois filmes) e que para muitos pode não ser considerado um problema, é que a obra toda é puro fan-service, ou seja, funciona apenas para agradar os fãs com referências e coisas que a gente já imaginava que ia acontecer, como a piada com o fato de o ator que interpreta Cable é o mesmo que interpreta Thanos. Esses fan-services não são ruins, o ruim é saber que o filme seria uma porcaria sem eles. As piadas escrachadas, a violência e a boa caracterização dos personagens não são suficientes para um filme do Deadpool funcionar, o fan-service também é necessário. E esse padrão foi criado pelo próprio Ryan Reynolds e pela Fox, agora resta esperar que ele não acabe se tornando obsoleto.
Apesar disso é um filme que vale ser conferido. E vou recomendar aqui algo que você provavelmente vai odiar: veja dublado! A dublagem desse filme é a melhor que eu vejo em anos, me lembrou animes dos anos 90, como Yu Yu Hakusho, e seriados antigos como Chaves (que fazem piadas com coisas brasileiras, para melhor entendimento do espectador). Em suma, Deadpool 2 é melhor que o antecessor em alguns quesitos, e provavelmente garante mais uns filmes do Mercenário Tagarela pela frente, além de alguns spin-offs também.
Ps.: As cenas pós-créditos, apesar de estarem sendo consideradas as melhores de todos os tempos, não me empolgaram tanto (para mim foi apenas mais fan-service), mas vale a pena a conferida.
Uma música para o filme:
A música "tema" de Deadpool, que eu mencionei acima, apareceu nos dois filmes e provavelmente vai continuar aparecendo, já que tem uma letra que condiz tanto com a personalidade do personagem. "X gon give to ya", do rapper DMX, fala sobre alguém que, apesar de ter bom coração, vai "detonar" (usando uma palavra de não tão baixo calão) seus inimigos. Isso é a principal característica de um anti-herói; ele vai fazer o bem, mas vai fazer da pior maneira possível.
Música no YouTube
Trailer do filme

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