Amityville, de Jay Anson
Nesta sexta-feira 13, teremos a primeira postagem sobre um livro! E para não perder o costume, apresento-lhes um livro de terror de 1977, relançado em 2016 pela Darkside Books, e que já inspirou inúmeras versões para o cinema.
Esta postagem não contém spoilers.
O livro narra a história real da família Lutz, que no fim de 1975, se mudou para a casa de número 112 da Ocean Avenue, em Amityville, Long Island. Esta casa foi palco de uma chacina, em 1974, onde o jovem Ronald DeFeo matou toda a sua família, e no julgamento, alegou ter feito isso por ordem de vozes que vinham da casa. Acontece que, exatamente 28 dias depois de se mudarem para o casarão, a família Lutz fugiu, deixando todos os seus pertences, dizendo que não voltariam à casa por nada, pois ela estava assombrada.
Vocês devem estar se perguntando se eu acabei de contar o final da história, não é mesmo? Não. Esse fato já é contado no início do livro, pois por ser uma história real, o autor não se preocupa em guardar surpresas para o final, ele apenas quer contar o que aconteceu durante os 28 dias que a família Lutz passou na casa, com base na minuciosa pesquisa que ele fez.
De uma forma geral, Amityville é um livro muito interessante, principalmente se você não conhece a história (o que é algo difícil, por causa das mais de 10 adaptações para o cinema que ela tem). Os acontecimentos são (pelo menos para aqueles que não são céticos) críveis, os personagens são eficientes em nos mostrar que são pessoas normais, que estavam passando por enorme provação, e por fim, a atmosfera de terror criada pela obra é assustadora.
O livro é dividido em capítulos intitulados pelos dias em que se passam, mostrando que toda a trajetória dos Lutz pela residência está sendo narrada ali. Uma abordagem detalhada de um evento controverso, que divide opiniões. Sem dúvidas um assunto polêmico. E o livro não deixa nem isso a desejar, já que no prefácio, escrito pelo reverendo John Nicola (que participou do filme O Exorcista), é falado sobre a onda de repressão que sofreu a família Lutz, mesmo depois de sair da casa, quando foram acusados de terem inventado a história para ganhar fama.
Verdadeira ou não, a história é uma das poucas que assustam até hoje quem a conheça. O livro, porém, não é isento de falhas. Algo que não gostei na escrita de Jay Anson foi o uso de pontos de exclamação ao narrar um evento sobrenatural. Isso me lembrou a escrita de J. R. R. Tolkien, que escrevia fantasia, voltada principalmente para o público infanto-juvenil, e esta técnica funciona nesse gênero. Mas o terror precisa ser trabalhado com ironia, com subjetividade, e algumas vezes, com ambiguidade, por isso creio que um simples ponto final para concluir as narrações seriam bem mais eficazes em assustar, do que as exclamações. É como se você estivesse ouvindo essa história de algum parente bêbado que estivesse te forçando a acreditar que aquilo realmente aconteceu.
Mas isso não tira o mérito da obra. E Amityville continua sendo um dos melhores livros de terror que eu já li. A edição da Darkside Books, como sempre, não deixa nada a desejar, com uma ilustração tenebrosa na capa dura, um interior igualmente recheado de ilustrações assustadoras, e a tradicional fitinha para marcar páginas.
Se você ficou curioso acerca das adaptações cinematográficas, vou falar brevemente sobre elas. Basicamente, a melhor é a original, de 1979, quase todas as outras são "continuações" desnecessárias, spin-offs ou relatos (não reais) de outras famílias na mesma casa. O remake de 2005 também é interessante, uma boa releitura do clássico de 79. As outras versões são, para mim, descartáveis, mas se você quiser, ainda assim, vê-las, fica por sua conta.
Uma música para o livro:
É complicado achar músicas que combinem com temas de terror. A música que eu pensei não tem muita relação com a história, pois enquanto Amityville se passa em Long Island, a letra da música indica que esta se passa na California, mas igualmente se trata de uma construção mal-assombrada, e para mim isso basta para recomendá-la. A música é um clássico do rock internacional e é uma das minhas músicas favoritas até hoje. "Hotel California", obra prima da banda The Eagles, fala sobre um viajante que para num hotel, e descobre que todos os funcionários e hóspedes estão mortos, e ele acaba por se tornar um deles também.
Música no YouTube
Esta postagem não contém spoilers.
O livro narra a história real da família Lutz, que no fim de 1975, se mudou para a casa de número 112 da Ocean Avenue, em Amityville, Long Island. Esta casa foi palco de uma chacina, em 1974, onde o jovem Ronald DeFeo matou toda a sua família, e no julgamento, alegou ter feito isso por ordem de vozes que vinham da casa. Acontece que, exatamente 28 dias depois de se mudarem para o casarão, a família Lutz fugiu, deixando todos os seus pertences, dizendo que não voltariam à casa por nada, pois ela estava assombrada.
Vocês devem estar se perguntando se eu acabei de contar o final da história, não é mesmo? Não. Esse fato já é contado no início do livro, pois por ser uma história real, o autor não se preocupa em guardar surpresas para o final, ele apenas quer contar o que aconteceu durante os 28 dias que a família Lutz passou na casa, com base na minuciosa pesquisa que ele fez.
De uma forma geral, Amityville é um livro muito interessante, principalmente se você não conhece a história (o que é algo difícil, por causa das mais de 10 adaptações para o cinema que ela tem). Os acontecimentos são (pelo menos para aqueles que não são céticos) críveis, os personagens são eficientes em nos mostrar que são pessoas normais, que estavam passando por enorme provação, e por fim, a atmosfera de terror criada pela obra é assustadora.
O livro é dividido em capítulos intitulados pelos dias em que se passam, mostrando que toda a trajetória dos Lutz pela residência está sendo narrada ali. Uma abordagem detalhada de um evento controverso, que divide opiniões. Sem dúvidas um assunto polêmico. E o livro não deixa nem isso a desejar, já que no prefácio, escrito pelo reverendo John Nicola (que participou do filme O Exorcista), é falado sobre a onda de repressão que sofreu a família Lutz, mesmo depois de sair da casa, quando foram acusados de terem inventado a história para ganhar fama.
Verdadeira ou não, a história é uma das poucas que assustam até hoje quem a conheça. O livro, porém, não é isento de falhas. Algo que não gostei na escrita de Jay Anson foi o uso de pontos de exclamação ao narrar um evento sobrenatural. Isso me lembrou a escrita de J. R. R. Tolkien, que escrevia fantasia, voltada principalmente para o público infanto-juvenil, e esta técnica funciona nesse gênero. Mas o terror precisa ser trabalhado com ironia, com subjetividade, e algumas vezes, com ambiguidade, por isso creio que um simples ponto final para concluir as narrações seriam bem mais eficazes em assustar, do que as exclamações. É como se você estivesse ouvindo essa história de algum parente bêbado que estivesse te forçando a acreditar que aquilo realmente aconteceu.
Mas isso não tira o mérito da obra. E Amityville continua sendo um dos melhores livros de terror que eu já li. A edição da Darkside Books, como sempre, não deixa nada a desejar, com uma ilustração tenebrosa na capa dura, um interior igualmente recheado de ilustrações assustadoras, e a tradicional fitinha para marcar páginas.
Se você ficou curioso acerca das adaptações cinematográficas, vou falar brevemente sobre elas. Basicamente, a melhor é a original, de 1979, quase todas as outras são "continuações" desnecessárias, spin-offs ou relatos (não reais) de outras famílias na mesma casa. O remake de 2005 também é interessante, uma boa releitura do clássico de 79. As outras versões são, para mim, descartáveis, mas se você quiser, ainda assim, vê-las, fica por sua conta.
Uma música para o livro:
É complicado achar músicas que combinem com temas de terror. A música que eu pensei não tem muita relação com a história, pois enquanto Amityville se passa em Long Island, a letra da música indica que esta se passa na California, mas igualmente se trata de uma construção mal-assombrada, e para mim isso basta para recomendá-la. A música é um clássico do rock internacional e é uma das minhas músicas favoritas até hoje. "Hotel California", obra prima da banda The Eagles, fala sobre um viajante que para num hotel, e descobre que todos os funcionários e hóspedes estão mortos, e ele acaba por se tornar um deles também.
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