Me Chame Pelo seu Nome
Esta postagem não contem spoilers.
Definitivamente este não é só mais um filme de romance, e mereceu todas as suas indicações ao Oscar, inclusive a de melhor filme.
Elio (Timothée Chalamet, indicado a melhor ator pelo papel) é o jovem filho de um professor universitário, que todo verão, recebe em sua casa um aluno para fazer trabalhos acadêmicos. O aluno da vez é Oliver (Armie Hammer, de O Agente da U.N.C.L.E), um americano bonitão que chama a atenção de todos à sua volta. Sua chegada provoca diversas emoções em Elio, que começam numa antipatia, e vão se transformando em algo a mais.
Me Chame Pelo seu Nome trabalha um romance de uma forma única, original, e ao mesmo tempo, realista. O amor da forma que ele é, sem os clichês e as fantasias mostradas pelo cinema e literatura. Mostra pessoas que se apaixonam não pela beleza uma da outra, mas pela inteligência, gostos musicais e literários, jeito de ser. E não só o amor, mas tudo que é trabalhado no filme, aparece de forma tão natural, sem padrões, sem tabus, que chega a parecer surreal, por ser algo que não vemos comumente no cinema. Mas é apenas o retrato da realidade, como eu já disse, o amor da forma que ele é.
O filme avança de maneira lenta, sem pressa, passeando por todas as emoções que o Elio sente. Isso pode ser um ponto fraco para alguns (confesso que para mim, por um momento, foi), mas é apenas a arte de um roteiro captar a essência da obra original. Me Chame Pelo seu Nome é uma adaptação do livro homônimo de André Aciman (que também assina parte do roteiro, que por sua vez ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado), que é narrado do ponto de vista do Elio, por isso, é necessário que sintamos tudo que ele sente, para que possamos entender tudo o que ele passa. Assim, navegamos em passividade, que se torna antipatia, que se torna raiva, que se torna amizade, que se torna amor. Tudo mostrado de forma arrastada, realista.
O elenco do filme é um de seus maiores méritos. Elio expressa suas emoções de forma que nos faz, como foi antes dito, passear com ele por todas elas. Oliver age de acordo com a forma que Elio o vê; inicialmente arrogante, mal educado, e então inteligente, encantador. Os pais de Elio passam uma imagem de sabedoria imensa; a mãe, de início, não tem muito destaque, mas basta só uma cena em que ela traduz um livro alemão para notarmos sua inteligência. Mas é ao pai que se deve uma das melhores cenas do filme. Seu diálogo com Elio no final passa uma mensagem tão profunda, tão verdadeira, que nos dá vontade de pausar o filme para digerir tudo o que está sendo mostrado.
A forma como a história aborda temas considerados como tabus, como sexo e orientação sexual, é a mais normal possível, o que ilustra isso é a cena em que um filho diz para o pai que "quase transou com uma garota na noite anterior". Isso serve como um ensinamento, porque esses temas são coisas normais, que foram transformadas em tabus pela sociedade. É por isso que esse filme foi tão elogiado, tão premiado, ele se diferencia de outros romances por causa do cuidado usado em sua produção, tanto na história, quanto na parte técnica. Sobre esta, para mim basta mencionar a tomada final, que foca no rosto do Elio durante todos os créditos, sem cortes aparentes, mostrando, mais uma vez, todas as emoções sentidas pelo personagem.
Uma música para o filme:
Foi realmente difícil pensar numa música para este filme. Não queria usar a música original dele, "Mystery of Love", que foi indicada ao Oscar, por isso passei mais tempo pensando na música do que escrevendo esta resenha. A que mais me pareceu adequada foi "Love on the Brain", de Rihanna, por conta de algumas coisas que ela fala no refrão, sobre suportar coisas ruins que vêm a acontecer num relacionamento, o que remete às impressões ruins que Elio tem de Oliver no início do filme, mas ainda assim permanecer neste relacionamento. Por que permanecemos? Deve ser amor na cabeça.
Música no YouTube
Trailer do filme
Definitivamente este não é só mais um filme de romance, e mereceu todas as suas indicações ao Oscar, inclusive a de melhor filme.
Elio (Timothée Chalamet, indicado a melhor ator pelo papel) é o jovem filho de um professor universitário, que todo verão, recebe em sua casa um aluno para fazer trabalhos acadêmicos. O aluno da vez é Oliver (Armie Hammer, de O Agente da U.N.C.L.E), um americano bonitão que chama a atenção de todos à sua volta. Sua chegada provoca diversas emoções em Elio, que começam numa antipatia, e vão se transformando em algo a mais.
Me Chame Pelo seu Nome trabalha um romance de uma forma única, original, e ao mesmo tempo, realista. O amor da forma que ele é, sem os clichês e as fantasias mostradas pelo cinema e literatura. Mostra pessoas que se apaixonam não pela beleza uma da outra, mas pela inteligência, gostos musicais e literários, jeito de ser. E não só o amor, mas tudo que é trabalhado no filme, aparece de forma tão natural, sem padrões, sem tabus, que chega a parecer surreal, por ser algo que não vemos comumente no cinema. Mas é apenas o retrato da realidade, como eu já disse, o amor da forma que ele é.
O filme avança de maneira lenta, sem pressa, passeando por todas as emoções que o Elio sente. Isso pode ser um ponto fraco para alguns (confesso que para mim, por um momento, foi), mas é apenas a arte de um roteiro captar a essência da obra original. Me Chame Pelo seu Nome é uma adaptação do livro homônimo de André Aciman (que também assina parte do roteiro, que por sua vez ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado), que é narrado do ponto de vista do Elio, por isso, é necessário que sintamos tudo que ele sente, para que possamos entender tudo o que ele passa. Assim, navegamos em passividade, que se torna antipatia, que se torna raiva, que se torna amizade, que se torna amor. Tudo mostrado de forma arrastada, realista.
O elenco do filme é um de seus maiores méritos. Elio expressa suas emoções de forma que nos faz, como foi antes dito, passear com ele por todas elas. Oliver age de acordo com a forma que Elio o vê; inicialmente arrogante, mal educado, e então inteligente, encantador. Os pais de Elio passam uma imagem de sabedoria imensa; a mãe, de início, não tem muito destaque, mas basta só uma cena em que ela traduz um livro alemão para notarmos sua inteligência. Mas é ao pai que se deve uma das melhores cenas do filme. Seu diálogo com Elio no final passa uma mensagem tão profunda, tão verdadeira, que nos dá vontade de pausar o filme para digerir tudo o que está sendo mostrado.
A forma como a história aborda temas considerados como tabus, como sexo e orientação sexual, é a mais normal possível, o que ilustra isso é a cena em que um filho diz para o pai que "quase transou com uma garota na noite anterior". Isso serve como um ensinamento, porque esses temas são coisas normais, que foram transformadas em tabus pela sociedade. É por isso que esse filme foi tão elogiado, tão premiado, ele se diferencia de outros romances por causa do cuidado usado em sua produção, tanto na história, quanto na parte técnica. Sobre esta, para mim basta mencionar a tomada final, que foca no rosto do Elio durante todos os créditos, sem cortes aparentes, mostrando, mais uma vez, todas as emoções sentidas pelo personagem.
Uma música para o filme:
Foi realmente difícil pensar numa música para este filme. Não queria usar a música original dele, "Mystery of Love", que foi indicada ao Oscar, por isso passei mais tempo pensando na música do que escrevendo esta resenha. A que mais me pareceu adequada foi "Love on the Brain", de Rihanna, por conta de algumas coisas que ela fala no refrão, sobre suportar coisas ruins que vêm a acontecer num relacionamento, o que remete às impressões ruins que Elio tem de Oliver no início do filme, mas ainda assim permanecer neste relacionamento. Por que permanecemos? Deve ser amor na cabeça.
Música no YouTube
Trailer do filme

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