Aniquilação
A nova ficção científica comprada pela Netflix antes do lançamento, pode marcar a entrada dos "originais" do serviço de streaming no Oscar.
Esta postagem não contém spoilers.
Usei aspas em "originais" porque o filme não é exatamente original da Netflix, ele foi apenas comprado pelo serviço, mas foi exibido nos cinemas em outros países, por isso pode ser indicado ao Oscar, e eu acredito que este pode ser um forte candidato a melhores efeitos visuais.
Lena (Natalie Portman, de V de Vingança) é uma professora de Biologia da Universidade John Hopkins. Há um ano, seu marido Kane (Oscar Isaac, de Ex-Machina) partiu em uma missão secreta e não mais voltou, e desde então, ela vive à sombra do seu passado. Contudo, sua vida sofre uma reviravolta quando ele retorna inesperadamente, e após alguns acontecimentos "estranhos", ela se vê numa base militar que foi construída próxima a um local que foi infestado por alguma coisa desconhecida. A área em quarentena é cercada por uma cintilação, e todas as equipes enviadas desapareceram. Lena então integra a nova equipe, formada apenas por estudiosas, não por militares, como nas outras vezes, e adentra o misterioso local.
Esta sinopse pode ter ficado confusa, mas esse é o espírito do filme; até quase metade do longa, você ainda não sabe o que exatamente os personagens estão fazendo. A entrada das mulheres no local misterioso não tem uma explicação plausível, a segurança em torno do local é grande o bastante para mandarem uma equipe maior e mais armada, mas isso não acontece, e de quebra, a violência gráfica do filme parece ter sido colocada apenas para causar impacto, já que filmes de ficção científica geralmente não precisam de tanto.
Em termos de violência, você pode comparar este com O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), que também não é um dos meus filmes preferidos, justamente por causa do "gore" gratuito. Mas a genialidade presente em Aniquilação, pode aproxima-lo do patamar de A Chegada (Arrival, 2016), e assim, tornar as cenas violentas "aceitáveis" diante da grandiosidade da obra. Eu posso não estar falando tão bem do filme até aqui, e considere isso como uma analogia ao filme, pois até certo ponto, eu não estava gostando.
Havia algumas coisas que salvavam o longa no primeiro e segundo atos: o carisma das atrizes principais e a inteligência das personagens, o clima tenso que não te prepara de jeito nenhum para o que vai acontecer, tornando-o mais surpreendente, e com certeza, os efeitos visuais. Tudo é muito lindo de se ver, desde a cintilação, passando pelas vegetações mutantes, os animais, os fungos, tudo é de uma beleza extraordinariamente assustadora, por isso acho que ele merece o Oscar de melhores efeitos visuais. Mas o problema é que a trama não prende a atenção nesse início. Ela demora para alavancar, e esse avanço também é demorado, chegando a tornar o filme chato.
Mas a salvação do longa com certeza é o terceiro ato. Após aquela cena incrivelmente tensa e assustadora envolvendo o urso mutante, temos um final diferente de tudo que você imaginar, por isso as comparações com A Chegada, pois é tão surpreendente quanto. Esse final é de uma beleza visual (assim como todo o filme) e intelectual impressionante. Deixa espaço para várias interpretações e teorias, traz perspectivas assustadoras sobre coisas que você viu no início, como Lena sendo interrogada e o marido dela chegando em casa, e ainda conclui o filme com uma cena impactante e que deixa espaço para continuações. Elas vão acontecer? Não sei, mas o filme é baseado num livro homônimo de Jeff VanderMeer, que faz parte de uma trilogia chamada Área X. Se o filme é uma boa adaptação, eu não sei, pois ainda não li o livro.
Em suma, Aniquilação é um filme interessante, que tem uma história confusa, que pode se tornar ainda mais confusa por causa de sua narrativa não-linear, mas que se conclui num final digno e de altíssimo nível. Traz boas atuações e belíssimas cenas, algumas com violência desnecessária, mas que não comprometem a apreciação da obra. Eu não faria uma continuação, já que o final fica aberto a interpretações, mas como já existem os livros, acho que as sequências serão bem-vindas.
Uma música para o filme:
Que música para este filme? "Viajei" tanto com ele que praticamente me esqueci que precisava pensar em uma música para recomendar no fim da publicação. A música que eu pensei, me deu vergonha de recomendar, por ter uma letra que faz alusão ao uso de drogas, mas vamos interpretar isso como uma analogia à "viagem" que tanto o espectador, quanto as personagens fazem no filme. A letra fala sobre alucinações (e em certa parte do filme eu achei que se tratava de histeria coletiva e todos estavam apenas imaginando aquilo) de uma forma "engraçada", mas de um blog chamado Cinema e Funk, você não pode esperar nada muito sério, não é mesmo?
Antes que eu "viaje" demais e esqueça, a música é "Eu vi gnomos", da banda Tihuana (isso mesmo que você acabou de ler). Se não conhece esta obra prima da música brasileira, corra para ouvi-la! A letra dela é quase tão confusa quanto a trama do filme. De preferência ouça enquanto estiver no clima deste.
Música no YouTube
Trailer do filme
Esta postagem não contém spoilers.
Usei aspas em "originais" porque o filme não é exatamente original da Netflix, ele foi apenas comprado pelo serviço, mas foi exibido nos cinemas em outros países, por isso pode ser indicado ao Oscar, e eu acredito que este pode ser um forte candidato a melhores efeitos visuais.
Lena (Natalie Portman, de V de Vingança) é uma professora de Biologia da Universidade John Hopkins. Há um ano, seu marido Kane (Oscar Isaac, de Ex-Machina) partiu em uma missão secreta e não mais voltou, e desde então, ela vive à sombra do seu passado. Contudo, sua vida sofre uma reviravolta quando ele retorna inesperadamente, e após alguns acontecimentos "estranhos", ela se vê numa base militar que foi construída próxima a um local que foi infestado por alguma coisa desconhecida. A área em quarentena é cercada por uma cintilação, e todas as equipes enviadas desapareceram. Lena então integra a nova equipe, formada apenas por estudiosas, não por militares, como nas outras vezes, e adentra o misterioso local.
Esta sinopse pode ter ficado confusa, mas esse é o espírito do filme; até quase metade do longa, você ainda não sabe o que exatamente os personagens estão fazendo. A entrada das mulheres no local misterioso não tem uma explicação plausível, a segurança em torno do local é grande o bastante para mandarem uma equipe maior e mais armada, mas isso não acontece, e de quebra, a violência gráfica do filme parece ter sido colocada apenas para causar impacto, já que filmes de ficção científica geralmente não precisam de tanto.
Em termos de violência, você pode comparar este com O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), que também não é um dos meus filmes preferidos, justamente por causa do "gore" gratuito. Mas a genialidade presente em Aniquilação, pode aproxima-lo do patamar de A Chegada (Arrival, 2016), e assim, tornar as cenas violentas "aceitáveis" diante da grandiosidade da obra. Eu posso não estar falando tão bem do filme até aqui, e considere isso como uma analogia ao filme, pois até certo ponto, eu não estava gostando.
Havia algumas coisas que salvavam o longa no primeiro e segundo atos: o carisma das atrizes principais e a inteligência das personagens, o clima tenso que não te prepara de jeito nenhum para o que vai acontecer, tornando-o mais surpreendente, e com certeza, os efeitos visuais. Tudo é muito lindo de se ver, desde a cintilação, passando pelas vegetações mutantes, os animais, os fungos, tudo é de uma beleza extraordinariamente assustadora, por isso acho que ele merece o Oscar de melhores efeitos visuais. Mas o problema é que a trama não prende a atenção nesse início. Ela demora para alavancar, e esse avanço também é demorado, chegando a tornar o filme chato.
Mas a salvação do longa com certeza é o terceiro ato. Após aquela cena incrivelmente tensa e assustadora envolvendo o urso mutante, temos um final diferente de tudo que você imaginar, por isso as comparações com A Chegada, pois é tão surpreendente quanto. Esse final é de uma beleza visual (assim como todo o filme) e intelectual impressionante. Deixa espaço para várias interpretações e teorias, traz perspectivas assustadoras sobre coisas que você viu no início, como Lena sendo interrogada e o marido dela chegando em casa, e ainda conclui o filme com uma cena impactante e que deixa espaço para continuações. Elas vão acontecer? Não sei, mas o filme é baseado num livro homônimo de Jeff VanderMeer, que faz parte de uma trilogia chamada Área X. Se o filme é uma boa adaptação, eu não sei, pois ainda não li o livro.
Em suma, Aniquilação é um filme interessante, que tem uma história confusa, que pode se tornar ainda mais confusa por causa de sua narrativa não-linear, mas que se conclui num final digno e de altíssimo nível. Traz boas atuações e belíssimas cenas, algumas com violência desnecessária, mas que não comprometem a apreciação da obra. Eu não faria uma continuação, já que o final fica aberto a interpretações, mas como já existem os livros, acho que as sequências serão bem-vindas.
Uma música para o filme:
Que música para este filme? "Viajei" tanto com ele que praticamente me esqueci que precisava pensar em uma música para recomendar no fim da publicação. A música que eu pensei, me deu vergonha de recomendar, por ter uma letra que faz alusão ao uso de drogas, mas vamos interpretar isso como uma analogia à "viagem" que tanto o espectador, quanto as personagens fazem no filme. A letra fala sobre alucinações (e em certa parte do filme eu achei que se tratava de histeria coletiva e todos estavam apenas imaginando aquilo) de uma forma "engraçada", mas de um blog chamado Cinema e Funk, você não pode esperar nada muito sério, não é mesmo?
Antes que eu "viaje" demais e esqueça, a música é "Eu vi gnomos", da banda Tihuana (isso mesmo que você acabou de ler). Se não conhece esta obra prima da música brasileira, corra para ouvi-la! A letra dela é quase tão confusa quanto a trama do filme. De preferência ouça enquanto estiver no clima deste.
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