Pantera Negra
Talvez um dos filmes mais esperados dos últimos tempos, e com certeza um dos filmes de heróis com mais representatividade já feitos (assim como Mulher Maravilha).
Esta postagem não tem spoilers.
Tudo começa de onde Capitão América: Guerra Civil parou. O rei de Wakanda morreu, e seu filho, T'Challa (Chadwick Boseman), deve assumir o trono e se tornar o novo Pantera Negra, seguindo diversos rituais tradicionais e belíssimos. Assim que se torna rei, T'Challa começa a enfrentar problemas, alguns menores, como uma tribo rebelde de Wakanda que não se curva a nenhum rei, outros maiores, como a segurança do país, que é visto pelo mundo como apenas mais uma aldeia africana, mas que na verdade é a nação mais tecnológica do planeta.
Eu vou começar falando da própria Wakanda. Que lugar incrível! O modo como os desenvolvedores do filme criaram o local, sempre mesclando cenários comuns da África com a riqueza tecnológica da parte fictícia, é de tirar o fôlego. Sempre há planos abertos que mostram montanhas, florestas e animais, recheados aqui e ali com partes feitas de vibranium, o metal mais poderoso da Terra. Há também as aldeias, que são praticamente iguais às existentes na África, mas sem a pobreza. É como um manifesto do diretor, para mostrar como o mundo seria melhor se os países mais ricos ajudassem os mais pobres, coisa que é tratada de modo contrário aqui, já que Wakanda é o país mais rico.
A trilha sonora me conquistou desde o início. Parece que cada música foi feita para a cena em que é tocada. Quando a cena é em algum bairro estadunidense, está tocando um hip-hop característico do local. Em Wakanda, sempre tocam músicas africanas. Nas cenas mais épicas, músicas com tom heroico. Mas o que mais chamou minha atenção, é a forma como a música principal se conclui. Durante todo o filme, ela é tocada, mas sempre que acaba, é com uma nota que indica continuidade, mostrando que não para por aí. Já no final, quando a história está concluída, a música termina com uma nota de conclusão. O mesmo tom tocado nas outras vezes, porém com uma nota que indica que, desta vez, acabou.
O que este filme tem de diferente dos outros filmes do MCU? O elenco predominantemente negro; o alívio cômico está muito mais controlado; o protagonista NÃO É o melhor personagem do filme; e o melhor de tudo: o vilão não é ruim! Na minha outra postagem, O melhor vilão da Marvel desde Loki, eu comentei que, pelo trailer, o vilão de Pantera Negra provavelmente seria mais do mesmo. Felizmente eu estava errado. O vilão, Erik Killmonger (Michael B. Jordan, de Creed), não é nenhum Loki da vida, e na minha opinião, também não é nenhum Abutre, mas ele possui várias camadas, tem boas motivações, e ações de um verdadeiro vilão!
Aliás, todos os personagens aqui estão bem, mas são as mulheres que roubam a cena. Wakanda tem um exército composto só de guerreiras, lideradas por Okoye (Danai Gurira, de The Walking Dead), de longe a melhor personagem do filme, dona das melhores cenas de ação. Nakia (Lupita Nyong'o, de 12 Anos de Escravidão) não é só o interesse amoroso do protagonista, mas uma espiã que está sempre olhando pelos mais necessitados (notem que as cenas de conversa entre os dois são sempre nas aldeias ou nos campos, nunca nas partes mais tecnológicas de Wakanda). Shuri (Letitia Wright, de Black Mirror), irmã de T'Challa, é o alívio cômico da trama, mas não só isso, ela também é uma grande cientista, e cuida sozinha da tecnologia do país. Além das mulheres, W'Kabi (Daniel Kaluuya, de Corra!) é um personagem profundo e cheio de cicatrizes, suas mudanças durante o filme são incríveis.
O que falar das cenas de ação? A cena do cassino, seguida pela perseguição nas ruas de Busan, na Coreia do Sul, é a melhor do filme. A cena de luta que passeia pelo cassino mostrando todos os personagens, sem cortes aparentes, mostra o quão cuidadosa foi essa produção, o que a destaca dos demais filmes do MCU. Já a melhor frase de efeito de Okoye, as melhores proezas de batalha, e a cena mais engraçada, estão nesta perseguição.
Contudo, o filme não é perfeito. Eu não achei ele tão surpreendente quanto alguns filmes do MCU. Acho que eles poderiam ter feito melhor. Também achei ele muito distante dos outros filmes. É possível dizer que as únicas cenas que têm relação com o resto do universo, são as que se passam durante, e depois dos créditos. E ainda assim elas não foram tão boas. Parece que os desenvolvedores focaram mais na representatividade, na importância social, política e cultural do filme, o que é bom, porque o diferencia de qualquer outra obra de super-heróis já feita, mas tira também um pouco das qualidades características da Marvel. Não se preocupem, não é nada que comprometa o filme, que ainda assim é muito bom!
Resumindo em uma frase, eu diria que é o filme mais importante da Marvel, mas não é o melhor.
Uma música para o filme:
Quando ouvi a música que Kendrick Lamar fez para o filme, percebi que ela tinha muito a ver com o vilão. É como uma narrativa de toda a história dele, em primeira pessoa, algo que se aproxima muito do filme, já que em alguns momentos, você chega a concordar com as ideologias do personagem. Por isso escolhi "All the stars" para representar este filme. Nada mais justo.
Música no YouTube
Trailer do filme
Esta postagem não tem spoilers.
Tudo começa de onde Capitão América: Guerra Civil parou. O rei de Wakanda morreu, e seu filho, T'Challa (Chadwick Boseman), deve assumir o trono e se tornar o novo Pantera Negra, seguindo diversos rituais tradicionais e belíssimos. Assim que se torna rei, T'Challa começa a enfrentar problemas, alguns menores, como uma tribo rebelde de Wakanda que não se curva a nenhum rei, outros maiores, como a segurança do país, que é visto pelo mundo como apenas mais uma aldeia africana, mas que na verdade é a nação mais tecnológica do planeta.
Eu vou começar falando da própria Wakanda. Que lugar incrível! O modo como os desenvolvedores do filme criaram o local, sempre mesclando cenários comuns da África com a riqueza tecnológica da parte fictícia, é de tirar o fôlego. Sempre há planos abertos que mostram montanhas, florestas e animais, recheados aqui e ali com partes feitas de vibranium, o metal mais poderoso da Terra. Há também as aldeias, que são praticamente iguais às existentes na África, mas sem a pobreza. É como um manifesto do diretor, para mostrar como o mundo seria melhor se os países mais ricos ajudassem os mais pobres, coisa que é tratada de modo contrário aqui, já que Wakanda é o país mais rico.
A trilha sonora me conquistou desde o início. Parece que cada música foi feita para a cena em que é tocada. Quando a cena é em algum bairro estadunidense, está tocando um hip-hop característico do local. Em Wakanda, sempre tocam músicas africanas. Nas cenas mais épicas, músicas com tom heroico. Mas o que mais chamou minha atenção, é a forma como a música principal se conclui. Durante todo o filme, ela é tocada, mas sempre que acaba, é com uma nota que indica continuidade, mostrando que não para por aí. Já no final, quando a história está concluída, a música termina com uma nota de conclusão. O mesmo tom tocado nas outras vezes, porém com uma nota que indica que, desta vez, acabou.
O que este filme tem de diferente dos outros filmes do MCU? O elenco predominantemente negro; o alívio cômico está muito mais controlado; o protagonista NÃO É o melhor personagem do filme; e o melhor de tudo: o vilão não é ruim! Na minha outra postagem, O melhor vilão da Marvel desde Loki, eu comentei que, pelo trailer, o vilão de Pantera Negra provavelmente seria mais do mesmo. Felizmente eu estava errado. O vilão, Erik Killmonger (Michael B. Jordan, de Creed), não é nenhum Loki da vida, e na minha opinião, também não é nenhum Abutre, mas ele possui várias camadas, tem boas motivações, e ações de um verdadeiro vilão!
Aliás, todos os personagens aqui estão bem, mas são as mulheres que roubam a cena. Wakanda tem um exército composto só de guerreiras, lideradas por Okoye (Danai Gurira, de The Walking Dead), de longe a melhor personagem do filme, dona das melhores cenas de ação. Nakia (Lupita Nyong'o, de 12 Anos de Escravidão) não é só o interesse amoroso do protagonista, mas uma espiã que está sempre olhando pelos mais necessitados (notem que as cenas de conversa entre os dois são sempre nas aldeias ou nos campos, nunca nas partes mais tecnológicas de Wakanda). Shuri (Letitia Wright, de Black Mirror), irmã de T'Challa, é o alívio cômico da trama, mas não só isso, ela também é uma grande cientista, e cuida sozinha da tecnologia do país. Além das mulheres, W'Kabi (Daniel Kaluuya, de Corra!) é um personagem profundo e cheio de cicatrizes, suas mudanças durante o filme são incríveis.
O que falar das cenas de ação? A cena do cassino, seguida pela perseguição nas ruas de Busan, na Coreia do Sul, é a melhor do filme. A cena de luta que passeia pelo cassino mostrando todos os personagens, sem cortes aparentes, mostra o quão cuidadosa foi essa produção, o que a destaca dos demais filmes do MCU. Já a melhor frase de efeito de Okoye, as melhores proezas de batalha, e a cena mais engraçada, estão nesta perseguição.
Contudo, o filme não é perfeito. Eu não achei ele tão surpreendente quanto alguns filmes do MCU. Acho que eles poderiam ter feito melhor. Também achei ele muito distante dos outros filmes. É possível dizer que as únicas cenas que têm relação com o resto do universo, são as que se passam durante, e depois dos créditos. E ainda assim elas não foram tão boas. Parece que os desenvolvedores focaram mais na representatividade, na importância social, política e cultural do filme, o que é bom, porque o diferencia de qualquer outra obra de super-heróis já feita, mas tira também um pouco das qualidades características da Marvel. Não se preocupem, não é nada que comprometa o filme, que ainda assim é muito bom!
Resumindo em uma frase, eu diria que é o filme mais importante da Marvel, mas não é o melhor.
Uma música para o filme:
Quando ouvi a música que Kendrick Lamar fez para o filme, percebi que ela tinha muito a ver com o vilão. É como uma narrativa de toda a história dele, em primeira pessoa, algo que se aproxima muito do filme, já que em alguns momentos, você chega a concordar com as ideologias do personagem. Por isso escolhi "All the stars" para representar este filme. Nada mais justo.
Música no YouTube
Trailer do filme

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