Everything Sucks!

Aprendemos com Stranger Things que a Netflix faz séries de acordo com o que é mais assistido pelos usuários. Essa fórmula pode se desgastar, algum dia, mas ainda está longe.

Esta postagem não contêm spoilers.

Everything Sucks! se passa nos anos 90 na cidade de Boring ("chato" em inglês), e acompanha a vida e as aventuras de três calouros que precisam enfrentar o ensino médio na Boring High School. O que movimenta a trama, além da paixão do protagonista Luke (Jahi Di'Allo Winston) pela filha do diretor, Kate (Peyton Kennedy), são as desavenças ocorridas entre os dois grupos do colégio, o de vídeo e o de teatro. Essas desavenças são narradas durante apenas 8 episódios, ao som de uma belíssima trilha sonora, e regadas por boas doses de nostalgia.

O que me ganhou nesta série, depois do trailer, foi a sua duração. Como eu já disse aqui antes, gosto muito de séries curtas. Mas não foi só isso que me manteve ligado nela e me fez maratona-la (coisa que nunca tinha feito com nenhuma série antes). Os personagens são carismáticos, com menção honrosa ao Tyler (Quinn Liebling), que me arrancava um sorriso toda vez que aparecia, não só por ser engraçado, mas por ser extremamente fofo. O desenvolvimento deles no decorrer da trama é notável. Note que há uma troca importante de papeis entre dois personagens; uma, era irritante no início da série, e passa a ser incrível no final; outro, incrível no início, irritante no final. As tramas envolvendo cada personagem são boas, o que preenche os espaços que só a história principal não daria conta. Espero que ocorra uma segunda temporada, e que nela possam ser trabalhados outros personagens que não são muito desenvolvidos aqui, como o próprio Tyler.

A nostalgia está presente em absolutamente todos os episódios. Desde os primeiros segundos do primeiro episódio, o espectador já se depara com diversas referências aos anos 90, é como uma Stranger Things de comédia. A menção de filmes geeks como Star Wars, cantores pop como Tori Amos, as técnicas usadas pelos personagens para gravar um filme, a dificuldade que eles encontram para usar Chroma Key, a presença de um jornal que é gravado e apresentado pelos próprios estudantes, tudo remete a algo na lembrança do espectador. Mesmo que sua escola do ensino médio não tenha tido um jornal e/ou você não tenha gravado um filme, é impossível não se identificar com os perrengues que acometem os personagens.

A trilha sonora, como eu já disse, é lindíssima, um dos maiores méritos da trama, principalmente pela presença do Oasis, uma das minhas bandas favoritas (o episódio do clipe de Wonderwall é incrível). Somos presenteados, ainda, com os sons de Weezer, The Offspring e Duran Duran, só para dar alguns exemplos. Tudo isso contribui para aumentar ainda mais a nostalgia trazida pela obra.

Na parte técnica, o que mais me chamou a atenção foi o modo como os episódios são filmados. Se você prestar atenção também, vai notar que a câmera está sempre se movendo, e dando closes nos rostos dos personagens, isso é uma referência ao modo como os alunos filmam. Tanto no jornal, quanto no clipe ou no filme, eles sempre ficam dando zoom nos rostos uns dos outros, como se isso fosse uma marca registrada para produções filmadas por adolescentes. A presença disso na filmagem da própria série me deixou vislumbrado, é uma aula de metalinguagem!

Confesso que Everything Sucks! não é uma série para todo mundo. Muitos podem não gostar da trama, que não é profunda nem ambígua, e há quem diga que a obra só se sustenta pelos elementos nostálgicos, o que não concordo. De fato, a trama não tem nada de muito novo, mas hoje em dia, com tudo o que já foi feito, não é fácil criar algo totalmente novo, contudo, se você sabe trabalhar com os clichês, de modo a torna-los chamativos, você merece atenção. Quanto à nostalgia, acho que ambientar a série nos anos 90 foi algo necessário. Afinal, onde estaria o humor de vários adolescentes tentando criar um filme nos dias de hoje, filmando com seus iPhones? Portanto, ela funcionaria muito bem sem as referências, mas coloca-las na história foi apenas a cereja do bolo.

Uma música para a série:

A letra da música que eu pensei, não se encaixa exatamente na trama da série. Essa música está presente na obra e é dos anos 90, mas a letra dela tem mais a ver com o "romance" entre Luke e Kate, já que a música fala que alguém vai salvar o eu lírico. Quando você chegar no clímax da série, vai entender porque esse pequeno trecho combina tanto. A música não poderia ser outra senão "Wonderwall", do Oasis.

Música no YouTube

Trailer da série


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Mundo Sombrio de Sabrina

Apresentando o Blog

Jurassic World: Reino Ameaçado