The End of the F***ing World

Esta postagem não contém spoilers da série.

Eu gosto de séries curtas. A primeira coisa que me conquistou em The End of the F***ing World (TEOTFW) foi a duração dos episódios. A segunda coisa foi a trilha sonora. E por fim, os enquadramentos perfeitamente simétricos que lembram os filmes de Wes Anderson e de Stanley Kubrick. Mas esquecendo a parte técnica, a série também tem uma história divertida, dinâmica, cheia de momentos tensos, dramáticos e hilários.

James (Alex Lawther, que nos fez de trouxa no episódio Shut Up and Dance, de Black Mirror), é um garoto de 17 anos que se considera um psicopata. Ele planeja matar Alyssa (Jessica Barden), uma garota da escola, porém ela decide namorar ele. Essa ideia sem sentido acaba se tornando algo muito maior quando eles decidem abandonar suas vidas para procurar o pai dela. É uma premissa absurda? Sim, mas esse não é o fraco da série, na verdade é o ponto alto. Em momento algum ela tenta se aproximar da realidade, tudo sempre é um pouco exagerado, beirando o surreal. Mas a série não é feita para você se importar com isso. Na verdade ela não quer que você se importe com nada, afinal, é o fim da p*rra do mundo, não é?

TEOTFW é baseada numa história em quadrinhos escrita por Charles S. Forman. Esse tipo de obra, que adapta quadrinhos de comédia, geralmente rende uma história hilária, cheia de elementos que seriam considerados idiotas por alguns, mas que na verdade são completamente geniais, vide Scott Pilgrim Contra o Mundo. Inicialmente você vai achar os personagens fracos, sem sentimentos e até chatos. Mas a medida que a série avança, percebemos uma notável evolução neles, e passamos a entender que suas ações (ou pelo menos a maioria delas) têm uma justificativa plausível (ou pelo menos aceitável).

O fato de ter episódios curtos, mesclado com uma história cada vez mais interessante, faz com que você veja a série muito rapidamente (o que vai te deixar um vazio no final). Cada final de episódio te deixa com uma enorme agonia para saber o que vai acontecer depois, e isso infelizmente chega a um nível gritante no último episódio, quando a história não é finalizada e você percebe que terá que esperar mais de um ano para ver o que vai acontecer (isso se a segunda temporada for confirmada, pois até o momento em que escrevo isso, ela não foi).

No quesito técnico, como já citei acima, a série é impecável. Os enquadramentos são de dar gosto; se você é fã de filmes como O Grande Hotel Budapeste e Moonrise Kingdom (ambos de Wes Anderson), 2001: Uma Odisseia no Espaço e O Iluminado (ambos de Stanley Kubrick), vai saber do que eu estou falando. A fotografia é linda, trazendo uma insaturação que cai como uma luva em obras que falam sobre psicopatas (pois insaturação pode ser considerada uma metáfora para a falta de sentimentos), e a iluminação perfeita de um road movie (aqueles filmes onde os protagonistas são perseguidos e passam por vários cenários, como A Qualquer Custo).

Resumindo, TEOTFW é um prato cheio para fãs de comédia, suspense, aventura, drama, romance, ou apenas para quem quer uma série rápida, despretensiosa, e realmente muito boa!

Uma música para a série:

A música que eu pensei para a série na verdade não tem muito a ver. Fiz uma analogia apenas pelo refrão da música, sendo que o resto da letra foge um pouco do tema. "What the Hell", da Avril Lavigne, fala sobre alguém que viveu uma vida padronizada, e então decide jogar tudo pro alto e sair para "bagunçar". Pelo menos é isso que o refrão sugere.

Música no YouTube

Trailer da série


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