Extraordinário
Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível), mostrou mais uma vez que ainda existem adaptações de livros magníficas. Extraordinário é um belo presente tanto para os fãs do livro, quanto para os que não conhecem a história.
Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto de 11 anos que nasceu com uma deformação facial que o fez passar por diversas cirurgias plásticas. Durante toda sua vida, Auggie estudou em casa, com sua mãe Isabel (Julia Roberts, possível indicada a melhor atriz por este papel), mas com o avanço da idade, precisa entrar numa escola particular. Auggie vai enfrentar dois desafios: o de ser o aluno novo, e o de ser o aluno diferente de todos os outros. Superficialmente, Extraordinário é uma obra sobre bullying, mas suas interpretações nos levam a pensar sobre valores como amizade, bondade, família. Não é um filme feito para impressionar ou assustar com as cenas de bullying, como visto em 'It: A Coisa (2017)', e sim para nos fazer pensar sobre como todas as pessoas ao nosso redor estão enfrentando uma batalha que não conhecemos, por isso temos sempre que ser gentis.
Contado no ponto de vista de vários personagens (assim como o livro), Extraordinário mostra a visão das pessoas sobre a condição do protagonista. Alguns com uma boa visão, outros com uma ruim, mas nenhuma indiferença, todos dão pelo menos uma "segunda olhada". Esse tipo de narrativa, que dá espaço aos personagens secundários, e não só ao protagonista, mostra que não é só o Auggie que enfrenta problemas. Por exemplo, sua irmã Via (Izabela Vidovic), nos conta sua comovente história, tornando, pelo menos para mim, a situação dela ainda mais triste que a do Auggie. Com isso, o filme também ganha mais conteúdo, não só "encheção de linguiça", e ainda ótimas atuações de todo o elenco.
Como adaptação, Extraordinário é uma das melhores que já tive o prazer de ver. Quem não ama a sensação de ver um dos seus livros favoritos chegar ao cinema de forma no mínimo satisfatória? E este filme ultrapassa o satisfatório. Alguns diálogos e narrações são exatamente iguais aos do livro. As cenas originais, ou seja, as que não estão no livro, são boas, com menção honrosa para um certo diálogo presente na cena em que os pais do Julian estão na diretoria, algo que quase me fez bater palmas no meio da sessão. Não é, porém, uma adaptação perfeita. Faltaram os pontos de vista da Summer e do Justin (que é um dos mais engraçados no livro).
Uma das críticas que eu mais vi na internet sobre o filme, foi sobre as frases de efeito presentes nele. Muitos acharam-nas forçadas ou sem sentido. Não concordo. Primeiramente, porque as frases não são do filme, elas foram retiradas do livro, e nesse sentido, o filme está apenas fazendo seu papel de boa adaptação e trazendo coisas da obra literária. Em segundo lugar, vou interpretar aqui uma das frases que foram mais criticadas: "Quando puder escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil". Muita gente interpretou de forma errônea, dizendo que em certos momentos, é necessário estar certo, mesmo quando pode ser gentil, como quando se vai educar um filho, por exemplo. Aqui discordo também. A frase diz: "Quando puder escolher...", ou seja, não necessariamente sempre. A verdade é que, você pode, sim, ser gentil e estar certo ao mesmo tempo. O que a autora do livro quis dizer com essa frase é que não sejamos grossos quando estivermos certos.
Uma música para o filme:
Passei um tempo para pensar em uma música para o filme. Hoje, ela me veio à cabeça. Uma música da banda Los Hermanos, chamada "Cara estranho". Não tomem conclusões precipitadas quanto ao título. A música é cantada na terceira pessoa, mas temos a impressão de que o eu lírico está falando de si mesmo. Há trechos sobre "ganhar aplausos sem querer", algo que remete à cena final do filme, e sobre "só conhecer o seu quinhão ruim", ou seja, achar que apenas a sua condição é ruim, e que mais ninguém no mundo passa por coisas parecidas.
Música no YouTube
Trailer do filme
Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto de 11 anos que nasceu com uma deformação facial que o fez passar por diversas cirurgias plásticas. Durante toda sua vida, Auggie estudou em casa, com sua mãe Isabel (Julia Roberts, possível indicada a melhor atriz por este papel), mas com o avanço da idade, precisa entrar numa escola particular. Auggie vai enfrentar dois desafios: o de ser o aluno novo, e o de ser o aluno diferente de todos os outros. Superficialmente, Extraordinário é uma obra sobre bullying, mas suas interpretações nos levam a pensar sobre valores como amizade, bondade, família. Não é um filme feito para impressionar ou assustar com as cenas de bullying, como visto em 'It: A Coisa (2017)', e sim para nos fazer pensar sobre como todas as pessoas ao nosso redor estão enfrentando uma batalha que não conhecemos, por isso temos sempre que ser gentis.
Contado no ponto de vista de vários personagens (assim como o livro), Extraordinário mostra a visão das pessoas sobre a condição do protagonista. Alguns com uma boa visão, outros com uma ruim, mas nenhuma indiferença, todos dão pelo menos uma "segunda olhada". Esse tipo de narrativa, que dá espaço aos personagens secundários, e não só ao protagonista, mostra que não é só o Auggie que enfrenta problemas. Por exemplo, sua irmã Via (Izabela Vidovic), nos conta sua comovente história, tornando, pelo menos para mim, a situação dela ainda mais triste que a do Auggie. Com isso, o filme também ganha mais conteúdo, não só "encheção de linguiça", e ainda ótimas atuações de todo o elenco.
Como adaptação, Extraordinário é uma das melhores que já tive o prazer de ver. Quem não ama a sensação de ver um dos seus livros favoritos chegar ao cinema de forma no mínimo satisfatória? E este filme ultrapassa o satisfatório. Alguns diálogos e narrações são exatamente iguais aos do livro. As cenas originais, ou seja, as que não estão no livro, são boas, com menção honrosa para um certo diálogo presente na cena em que os pais do Julian estão na diretoria, algo que quase me fez bater palmas no meio da sessão. Não é, porém, uma adaptação perfeita. Faltaram os pontos de vista da Summer e do Justin (que é um dos mais engraçados no livro).
Uma das críticas que eu mais vi na internet sobre o filme, foi sobre as frases de efeito presentes nele. Muitos acharam-nas forçadas ou sem sentido. Não concordo. Primeiramente, porque as frases não são do filme, elas foram retiradas do livro, e nesse sentido, o filme está apenas fazendo seu papel de boa adaptação e trazendo coisas da obra literária. Em segundo lugar, vou interpretar aqui uma das frases que foram mais criticadas: "Quando puder escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil". Muita gente interpretou de forma errônea, dizendo que em certos momentos, é necessário estar certo, mesmo quando pode ser gentil, como quando se vai educar um filho, por exemplo. Aqui discordo também. A frase diz: "Quando puder escolher...", ou seja, não necessariamente sempre. A verdade é que, você pode, sim, ser gentil e estar certo ao mesmo tempo. O que a autora do livro quis dizer com essa frase é que não sejamos grossos quando estivermos certos.
Uma música para o filme:
Passei um tempo para pensar em uma música para o filme. Hoje, ela me veio à cabeça. Uma música da banda Los Hermanos, chamada "Cara estranho". Não tomem conclusões precipitadas quanto ao título. A música é cantada na terceira pessoa, mas temos a impressão de que o eu lírico está falando de si mesmo. Há trechos sobre "ganhar aplausos sem querer", algo que remete à cena final do filme, e sobre "só conhecer o seu quinhão ruim", ou seja, achar que apenas a sua condição é ruim, e que mais ninguém no mundo passa por coisas parecidas.
Música no YouTube
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