Final Space
Comecei a assistir Final Space sem nenhuma expectativa, e isso foi ótimo, porque a nova série animada da Netflix é uma grata surpresa.
Esta postagem não contém spoilers.
Final Space é uma série de animação adulta lançada na última sexta-feira na Netflix. Na trama, acompanhamos Gary, um cara que está cumprindo uma pena de 5 anos consertando satélites numa nave chamada Galaxy One. Suas únicas companhias são HUE, uma inteligência artificial que controla a nave, e KVN, um robô detestável e inconveniente. Tudo muda quando ele encontra uma criatura no espaço, a qual batiza de Mooncake, e que está sendo perseguida pelo temível Lord Commander. Enquanto isso, Quinn, um antigo amor de Gary, detecta uma anomalia que pode causar a destruição da Terra. Essa trama complexa move uma das melhores animações que já chegaram ao catálogo do serviço de streaming.
Por ser uma animação para adultos, Final Space não poupa nas mortes sangrentas, desmembramentos e palavrões, mas o mais interessante é que sua trama é complexa, mas abusa dos absurdos, para nos presentear com boas doses de humor, muitas vezes humor negro. O enredo é bastante surpreendente, trazendo reviravoltas em vários episódios, momentos tensos, emocionantes e muito engraçados. As referências rolam soltas, uma mistura das tramas espaciais de Star Trek e Guardiões da Galáxia, os exageros de Rick & Morty e Hora de Aventura, e as batalhas épicas de Star Wars. Isso sem falar no HUE, claramente baseado em HAL 9000, de 2001: Uma Odisseia no Espaço. É um prato cheio para quem entende de cultura pop, mas infelizmente pode não agradar aqueles que não estão tão familiarizados com isso.
Diferente de outras animações, Final Space é muito cuidadosa em várias coisas. A trilha sonora é um dos pontos mais altos, com músicas extremamente calmas em momentos tensos, para criar uma espécie de contraste, e algumas músicas com letra (diferente das músicas instrumentais que são normais em séries animadas) para acentuar momentos mais emocionantes. Apesar de o visual dos personagens não ser nada memorável, nota-se um cuidado enorme na ambientação. As cenas no espaço, as dobras espaciais, os destroços de batalha que ficam soltos no vácuo, as fendas, buracos negros, tudo é belíssimo, um deleite aos olhos, algo dificilmente visto em animações non-sense.
Algo que também me agradou foi a trama contínua da série. Diferente de outras animações como os já citados Rick & Morty e Hora de Aventura, onde cada episódio conta uma história, aqui temos dez episódios de aproximadamente 22 minutos para contar toda a história, possibilitando assim o desenvolvimento dos personagens. E que personagens! Tive uma relação de amor e ódio com Gary, que apesar de ser o herói da trama, tinha algumas atitudes bem detestáveis. Me surpreendi com o arco de Avogato e seu filho, com a coragem e sabedoria de Quinn e a inteligência áspera de HUE, senti também o ódio de Gary por KVN e contra o Lord Commander.
Tanta coisa sendo explorada em apenas 10 curtos episódios, claro que geraria alguns pequenos problemas. O único que consegui notar, porém, foi a conclusão um pouco apressada, mas isso não chega a incomodar, inclusive fiquei muito ansioso pela próxima temporada, que já foi confirmada. Portanto, Final Space é mais do que recomendado, mais um grande acerto nas produções "originais" da Netflix (nas séries, pelo menos). É surpreendente até seu último minuto, fica aberta a teorias e nos deixa ansiosos por mais episódios.
Uma música para a série:
Pensei em várias músicas para resumirem esta série. A maioria delas era do David Bowie, que sempre foi apaixonado pelo espaço. Entre suas canções, foi fácil escolher uma analisando sua letra. "Starman" é um clássico que ganhou sua versão brasileira pelas mãos da banda Nenhum de Nós, com o outro clássico "O Astronauta de Mármore", mas a que eu escolhi foi a original, por suas semelhanças com a trama de Final Space. Como o título da música já diz, ela fala sobre um homem das estrelas (um astronauta, ou não) e esse homem dá alguns conselhos sobre deixar as crianças fazerem o que quiser, algo que me lembrou a relação de Gary com Little Gato. O eu lírico também fala sobre alguém com quem ele queria conversar sobre o assunto, que seria um interesse romântico, como o de Gary em Quinn. Uma música tão boa é suficiente para mostrar o quanto gostei dessa série.
Música no YouTube
Trailer da série
Esta postagem não contém spoilers.
Final Space é uma série de animação adulta lançada na última sexta-feira na Netflix. Na trama, acompanhamos Gary, um cara que está cumprindo uma pena de 5 anos consertando satélites numa nave chamada Galaxy One. Suas únicas companhias são HUE, uma inteligência artificial que controla a nave, e KVN, um robô detestável e inconveniente. Tudo muda quando ele encontra uma criatura no espaço, a qual batiza de Mooncake, e que está sendo perseguida pelo temível Lord Commander. Enquanto isso, Quinn, um antigo amor de Gary, detecta uma anomalia que pode causar a destruição da Terra. Essa trama complexa move uma das melhores animações que já chegaram ao catálogo do serviço de streaming.
Por ser uma animação para adultos, Final Space não poupa nas mortes sangrentas, desmembramentos e palavrões, mas o mais interessante é que sua trama é complexa, mas abusa dos absurdos, para nos presentear com boas doses de humor, muitas vezes humor negro. O enredo é bastante surpreendente, trazendo reviravoltas em vários episódios, momentos tensos, emocionantes e muito engraçados. As referências rolam soltas, uma mistura das tramas espaciais de Star Trek e Guardiões da Galáxia, os exageros de Rick & Morty e Hora de Aventura, e as batalhas épicas de Star Wars. Isso sem falar no HUE, claramente baseado em HAL 9000, de 2001: Uma Odisseia no Espaço. É um prato cheio para quem entende de cultura pop, mas infelizmente pode não agradar aqueles que não estão tão familiarizados com isso.
Diferente de outras animações, Final Space é muito cuidadosa em várias coisas. A trilha sonora é um dos pontos mais altos, com músicas extremamente calmas em momentos tensos, para criar uma espécie de contraste, e algumas músicas com letra (diferente das músicas instrumentais que são normais em séries animadas) para acentuar momentos mais emocionantes. Apesar de o visual dos personagens não ser nada memorável, nota-se um cuidado enorme na ambientação. As cenas no espaço, as dobras espaciais, os destroços de batalha que ficam soltos no vácuo, as fendas, buracos negros, tudo é belíssimo, um deleite aos olhos, algo dificilmente visto em animações non-sense.
Algo que também me agradou foi a trama contínua da série. Diferente de outras animações como os já citados Rick & Morty e Hora de Aventura, onde cada episódio conta uma história, aqui temos dez episódios de aproximadamente 22 minutos para contar toda a história, possibilitando assim o desenvolvimento dos personagens. E que personagens! Tive uma relação de amor e ódio com Gary, que apesar de ser o herói da trama, tinha algumas atitudes bem detestáveis. Me surpreendi com o arco de Avogato e seu filho, com a coragem e sabedoria de Quinn e a inteligência áspera de HUE, senti também o ódio de Gary por KVN e contra o Lord Commander.
Tanta coisa sendo explorada em apenas 10 curtos episódios, claro que geraria alguns pequenos problemas. O único que consegui notar, porém, foi a conclusão um pouco apressada, mas isso não chega a incomodar, inclusive fiquei muito ansioso pela próxima temporada, que já foi confirmada. Portanto, Final Space é mais do que recomendado, mais um grande acerto nas produções "originais" da Netflix (nas séries, pelo menos). É surpreendente até seu último minuto, fica aberta a teorias e nos deixa ansiosos por mais episódios.
Uma música para a série:
Pensei em várias músicas para resumirem esta série. A maioria delas era do David Bowie, que sempre foi apaixonado pelo espaço. Entre suas canções, foi fácil escolher uma analisando sua letra. "Starman" é um clássico que ganhou sua versão brasileira pelas mãos da banda Nenhum de Nós, com o outro clássico "O Astronauta de Mármore", mas a que eu escolhi foi a original, por suas semelhanças com a trama de Final Space. Como o título da música já diz, ela fala sobre um homem das estrelas (um astronauta, ou não) e esse homem dá alguns conselhos sobre deixar as crianças fazerem o que quiser, algo que me lembrou a relação de Gary com Little Gato. O eu lírico também fala sobre alguém com quem ele queria conversar sobre o assunto, que seria um interesse romântico, como o de Gary em Quinn. Uma música tão boa é suficiente para mostrar o quanto gostei dessa série.
Música no YouTube
Trailer da série

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